Entenda por que a Pat McGrath Labs recorreu à recuperação judicial
- Suco Estúdio Criativo

- 29 de jan.
- 4 min de leitura

A Pat McGrath Labs entrou em recuperação judicial em janeiro de 2026 após enfrentar dificuldades financeiras, queda nas vendas e altos custos operacionais em um mercado de beleza cada vez mais competitivo. O pedido de bankruptcy, no modelo Chapter 11, que na legislação brasileira corresponde à recuperação judicial, permite que a empresa continue operando enquanto reorganiza suas dívidas e renegocia contratos com credores. A medida não representa falência, mas uma estratégia legal para evitar o encerramento das atividades e preservar a marca fundada pela maquiadora Pat McGrath.
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Mas o que levou a crise da marca?
2015: A mother resolve ter uma marca
A Pat McGrath já era um monstro sagrado da maquiagem, dominava passarela, editorial, capa de revista. Quando ela lança a própria marca, não nasce como uma marca comum, nasce como extensão de uma lenda viva. Produto esgotando, hype absurdo, aquela sensação de que tudo que ela toca vira ouro.

2018: O plano de dominar o mundo está dando certo
Entra a Eurazeo, uma gigante de investimentos, colocando 60 milhões de dólares. A empresa passa a ser avaliada em mais de 1 bilhão. Vira unicórnio da beleza. Nesse ponto, o mercado não está só aplaudindo a artista, está apostando que isso aqui vai ser uma máquina de dinheiro global.

2019 a 2021: O sonho começa a virar pesadelo
A marca cresce, está no varejo de luxo, imagem fortíssima, desejo lá em cima. Só que por volta de 2021 a Eurazeo sai do investimento, discretamente. E o mercado começa a especular que a saída de um investidor grande é porque os números não estão entregando o que foi prometido lá atrás.
2022 a 2024: A realidade bate na porta
As vendas começam a desacelerar. Para uma empresa que já foi “avaliada” em mais de 1 bilhão, o faturamento fica pequeno demais, estimado abaixo de 50 milhões em 2024.
Outro investidor, a Sienna, praticamente assume que o sonho encolheu e reduz o valor do investimento deles em 88%. Isso joga a percepção de valor da empresa para algo perto de 160 a 170 milhões.
Aí começam os sinais clássicos de aperto: demissões, mudanças na liderança, ajustes internos. Isso geralmente significa que a empresa está tentando cortar custo e ganhar fôlego porque o dinheiro que entra não sustenta mais o tamanho da estrutura. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Janeiro de 2024: A mother viraliza com efeito pele de porcelana
O desfile de alta costura da Maison Margiela aconteceu em janeiro de 2024 e o look “pele de boneca/glass skin” criado por Pat McGrath, viralizou de uma forma insana. Toda a internet tentou reproduzir e descobrir qual era o truque por trás do efeito. A maquiadora e historiadora Erin Parsons, ex-assistente de Pat, foi quem acabou surfando a onda desvendando o segredo da técnica, que usava uma máscara de skincare, feita de pepino, coisa baratinha.
O lançamento oficial do produto Skin Fetish: Glass 001 Artistry Mask, da Pat McGrath Labs aconteceu exatamente um ano após o viral. Tempo demais pra internet, perdendo uma oportunidade gigante de vendas e hype.

Março de 2025: A mother é apontada como diretora criativa da maquiagem LV
Para entrar no mundo da maquiagem, a gigante Louis Vuitton chamou Pat como diretora criativa da primeira linha de maquiagem, o que pode ter sido uma mensagem confusa, considerando sua marca própria e o momento delicado que estava passando. O fato da linha ter estreado alguns meses depois, em agosto, com batom custando quase mil reais também não ajudou muito na história como um todo.
Dezembro de 2025: Quem dá mais?
A empresa começa a colocar ativos à venda, marca, logos, propriedade intelectual. É organizado um leilão para janeiro de 2026. O discurso é bonito, algo como “isso vai permitir seguir de forma mais saudável”. Na prática, é tentativa de reorganizar, levantar dinheiro e ajeitar a casa.
Janeiro de 2026: Plot twist jurídico
Pouco antes do leilão, a marca entra com Chapter 11, que é a recuperação judicial nos EUA. Isso pausa o leilão e coloca um freio nos credores. A empresa pede proteção do tribunal para ganhar tempo e tentar reorganizar as dívidas em vez de ser forçada a vender tudo às pressas.
Nos documentos do processo, a empresa declara entre 50 e 100 milhões de dólares em dívidas.
Logo no começo já pede autorização urgente para pagar cerca de 426 mil dólares a fornecedores críticos e cerca de 689 mil dólares em salários e compensações. Ou seja, não é só questão de imagem ou estratégia, é caixa apertado mesmo, tentando garantir o básico para continuar funcionando.
O que esse tal de “Chapter 11” quer dizer:
Não é fechar as portas imediatamente. É tipo dizer “não estamos conseguindo pagar tudo, então vamos reorganizar sob supervisão de um juiz”. A empresa continua operando, mas precisa apresentar um plano explicando como vai renegociar dívidas, cortar excessos e tentar virar um negócio sustentável.
E agora, a marca vai negociar com credores e montar um plano. Pode envolver vender partes do negócio, trazer novos investidores, encolher a operação e focar no que dá dinheiro de verdade.
Se o plano for aprovado, ela continua, provavelmente menor e mais enxuta. Se não, aí o caminho pode ser a liquidação total.
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No fim, a história é bem menos sobre maquiagem e bem mais sobre expectativa versus realidade. A imagem era gigante, o valuation foi nas alturas, mas o crescimento real de vendas não acompanhou o tamanho da promessa. A conta chegou, os investidores foram saindo e agora a empresa está tentando se reorganizar.
Dito isso, nós do Suco estamos mandando forças para a nossa mother Pat McGrath, para que ela saia intacta dessa situação e continue brilhando e transformando o mundo da beleza com toda sua criatividade.







